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Astigmatismo tem cura? Laser, limites e alternativas reais

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Introdução

Astigmatismo tem cura? A pergunta é comum em consultórios e nas buscas do Google. A resposta curta: ele não “some”, mas pode ser corrigido com alto grau de previsibilidade. Em muitos casos, a cirurgia refrativa a laser entrega independência dos óculos; em outros, ela não é a melhor escolha e existem alternativas seguras. Este guia explica, de forma prática, quando o laser resolve, quando não resolve, quais são os limites de grau e de espessura da córnea, como avaliar a sua elegibilidade e que resultados esperar de maneira realista. Ao final, você terá clareza para conversar com o seu oftalmologista e decidir com segurança. O objetivo é ser útil realmente.

O que é astigmatismo

Astigmatismo é um erro refrativo em que a curvatura da córnea, do cristalino, ou de ambos, não é perfeitamente simétrica. Em vez de focar a luz em um único ponto, o sistema óptico cria linhas ou múltiplos planos de foco, gerando imagem borrada e distorcida em todas as distâncias. Ele pode existir isoladamente ou combinado com miopia e hipermetropia. Há formas regulares, que respondem bem ao laser, e formas irregulares, geralmente associadas a cicatrizes, traumas ou doenças como o ceratocone. O diagnóstico não se baseia apenas em “grau”, mas em exames como topografia e tomografia de córnea, aberrometria e avaliação do filme lacrimal. Esses dados indicam se a córnea tem espessura, estabilidade e qualidade para uma remodelagem segura, ou se outra estratégia é mais adequada. Também há componente hereditário frequente.

Sintomas e impacto na rotina

Os sintomas mais comuns do astigmatismo incluem visão borrada, sombras nas letras, halos ao redor de luzes e dificuldade para enxergar detalhes finos. Em telas, o esforço visual pode gerar dor de cabeça, ardor, lacrimejamento e sensação de areia. A qualidade varia ao longo do dia conforme cansaço e lubrificação ocular. Em graus mais altos, a autonomia sem óculos cai bastante; em graus leves, a queixa aparece especialmente à noite, ao dirigir ou ler legendas. Nem todo borramento é astigmatismo, por isso avaliar com exames é essencial para diferenciar ressecamento, presbiopia, catarata inicial e outras condições. Anamnese completa ajuda bastante.

Como o laser corrige o astigmatismo

O laser excimer e, em técnicas específicas, o femtosegundo remodelam a curvatura da córnea retirando micrômetros de tecido de maneira controlada. Para o astigmatismo, o perfil do disparo é toroidal, aplanando meridianos mais curvos e equilibrando os eixos para que a luz volte a convergir no mesmo plano. O planejamento é personalizado a partir de autorrefração, ceratometria, topografia, tomografia e dilatação pupilar, respeitando a espessura residual mínima. O objetivo é reduzir o grau a zero ou próximo disso, com qualidade óptica estável. Em pacientes com miopia ou hipermetropia associadas, o software combina perfis, tratando os componentes no mesmo procedimento. A precisão depende de fatores como fixação, cicatrização, diâmetro de zona óptica e qualidade do filme lacrimal. Por isso o pré e o pós-operatório importam tanto quanto a tecnologia. Mapeamentos guiados por frente de onda ou topografia podem reduzir aberrações de alta ordem, embora nem todo caso exija essa sofisticação, e o custo varia entre clínicas. Avaliação criteriosa evita surpresas indesejáveis.

Quando o laser resolve: critérios de elegibilidade

Em linhas gerais, o laser corrige bem o astigmatismo regular estável em adultos com córnea saudável. Os critérios clássicos incluem: estabilidade refrativa por pelo menos 12 meses; idade geralmente acima de 18 anos; ausência de sinais de ectasia ou ceratocone; espessura corneana suficiente para manter leito residual seguro; e expectativas compatíveis com o procedimento. Avalia-se ainda o diâmetro pupilar em baixa luz, a presença de olho seco, alergias oculares, uso de medicações que interfiram na cicatrização e o histórico familiar. Profissões que envolvem risco de trauma ocular podem influenciar a escolha da técnica. Quem tem astigmatismo associado a miopia leve ou moderada costuma ser bom candidato. Já graus muito altos, córneas finas ou mapas irregulares exigem cautela. Em pacientes com hipermetropia significativa, zonas ópticas maiores podem ser necessárias para conforto noturno, o que aumenta o consumo de tecido e pode limitar a indicação. Atletas de combate, gestantes, pessoas com doenças autoimunes ativas ou diabetes descompensado, e usuários recentes de isotretinoína normalmente devem adiar ou evitar a cirurgia, até estabilizar condições.

Limites de grau e espessura de córnea

Cada serviço define protocolos, mas há balizas usadas amplamente. Em geral, até cerca de 4 a 5 dioptrias de astigmatismo regular podem ser tratadas com laser, dependendo da espessura e do diâmetro da zona óptica. O cálculo considera a espessura inicial, o quanto será removido e o leito residual mínimo seguro, que costuma ficar acima de 300 a 320 micrômetros, variando por técnica e perfil de risco. Córneas finas, com mapa suspeito ou assimetrias elevadas reduzem a indicação. Quanto maior a zona óptica, melhor o conforto noturno, porém maior o consumo de tecido. Em certos casos, dividir o tratamento entre os dois olhos em dias separados, otimizar lubrificação e controlar alergias elevam a previsibilidade e a qualidade visual. Quando o grau ultrapassa a zona de segurança, combinações com lentes intraoculares tórias, incisões relaxantes limbares ou manutenção parcial de óculos podem entregar melhor equilíbrio entre nitidez, contraste e segurança para você.

Quando o laser não é indicado

Há situações em que a cirurgia a laser não é a melhor resposta. Exemplos: astigmatismo irregular por ceratocone, degenerações marginais, cicatrizes extensas, ou mapas com assimetrias suspeitas; córneas muito finas para manter leito residual seguro; doença de superfície ocular importante e não controlada; gestação e lactação; doenças autoimunes ativas; uso recente de isotretinoína; e instabilidade refrativa. Pupilas muito grandes em ambientes escuros podem exigir zonas ópticas amplas demais para a espessura disponível. Nesse contexto, insistir no laser aumenta o risco de halos intensos, regressão, olho seco prolongado e até ectasia, uma complicação rara porém séria. Nesses casos, procurar alternativas como lentes de contato tórias, implantes fácicos, ou tratar a doença de base primeiro costuma oferecer melhor retorno visual e segurança a longo prazo. Também não se deve operar esperando resolver presbiopia definitivamente; a leitura sem óculos após os 40 pode exigir estratégias específicas, como monovisão, que nem todos toleram, e sempre envolve discussão detalhada prévia, com expectativas bem alinhadas antes.

Técnicas a laser: PRK, LASIK e SMILE

Três abordagens concentram a maioria dos casos de astigmatismo: PRK, LASIK e SMILE. No PRK, remove-se o epitélio e o laser excimer atua na superfície; a recuperação é mais lenta e pode haver desconforto nos primeiros dias, porém a ausência de flap é vantagem em esportes de contato ou córneas limítrofes. No LASIK, cria-se um flap com femtosegundo, remodela-se o estroma com excimer e reposiciona-se o flap; a visão costuma estabilizar rápido, com pouco desconforto. No SMILE, o femtosegundo esculpe um lentículo dentro da córnea, retirado por microincisão; há menor impacto na estabilidade biomecânica e no filme lacrimal em parte dos casos. Todas as técnicas podem tratar astigmatismo regular com previsibilidade quando bem indicadas. A escolha depende de topografia, espessura, estilo de vida, profissão e preferências do cirurgião e do paciente. Em córneas com maior risco de olho seco, SMILE ou PRK podem oferecer conforto melhor; para astigmatismos altos com miopia, plataformas com rastreamento ocular avançado e controles de ciclotorsão são diferenciais importantes. A personalização melhora qualidade e estabilidade visual.

Alternativas quando o laser não resolve

Quando o laser não é indicado, existem caminhos eficazes. Óculos continuam sendo opção simples, segura e barata para qualquer grau. Lentes de contato tórias descartáveis funcionam muito bem em astigmatismos regulares; já lentes rígidas gás-permeáveis ou esclerais podem neutralizar irregularidades de superfície com excelente qualidade visual. Para quem deseja liberdade maior dos óculos e tem córnea inadequada ao laser, lentes fácicas ICL tórias corrigem astigmatismo e miopia com preservação corneana, sendo reversíveis. Em pacientes com catarata ou presbiopia avançada, lentes intraoculares tórias durante a cirurgia do cristalino reduzem significativamente o astigmatismo. Em olhos com ceratocone ou suspeita de progressão, o crosslinking corneano estabiliza a doença; depois, óculos, lentes ou procedimentos combinados podem refinar o resultado. Incisões relaxantes limbares, guiadas por topografia, são opção adjuvante em casos selecionados. Quando a irregularidade decorre de cicatriz central, transplante lamelar anterior ou técnicas de superfície com mitomicina podem melhorar a regularidade, mas a indicação é restrita e requer avaliação especializada, incluindo expectativas visuais e risco cicatricial. Tudo deve ser individualizado e documentado, com consentimento.

Riscos, efeitos e recuperação

Como todo procedimento, a cirurgia refrativa tem riscos. Efeitos esperados incluem sensibilidade à luz, variação visual inicial e olho seco temporário. Complicações pouco frequentes, porém relevantes, são infecção, inflamação, cicatrização irregular, halos noturnos persistentes e regressão do grau. A ectasia corneana é rara quando a seleção é criteriosa. O tempo de recuperação depende da técnica: no PRK, a reepitelização leva dias e a visão estabiliza ao longo de semanas; no LASIK e no SMILE, muitos pacientes retomam atividades em poucos dias. Colírios antibióticos, anti-inflamatórios e lubrificantes fazem parte do protocolo, além de evitar trauma, água nos olhos e maquiagem inicial. Comparecimentos às revisões são fundamentais. Quem dirige à noite pode notar halos transitórios; a maioria melhora com o tempo gradualmente.

Expectativas de resultado e longo prazo

Resultados típicos incluem visão útil sem óculos para atividades do dia a dia, com possível necessidade de óculos leves para tarefas específicas, especialmente à noite. Pequenas regressões podem ocorrer e, às vezes, um retoque é considerado, se houver espessura. Independente do laser, a presbiopia surgirá com a idade, e isso não significa falha do tratamento. É parte natural do envelhecimento.

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Equipe editorial para a Clínica Azoubel Roizenblatt

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