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Descolamento de retina: sintomas, cirurgia e quando operar

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Descolamento de retina é uma emergência ocular que pode levar à perda visual irreversível se não for tratada a tempo. Identificar rapidamente os sinais, entender como é a cirurgia de retina e saber quando procurar atendimento faz toda a diferença no resultado. Neste guia, você aprenderá a reconhecer sintomas como flashes de luz, moscas volantes e a sensação de uma cortina escurecendo a visão, além de conhecer as opções de tratamento, o tempo ideal para operar e o que esperar da recuperação. O objetivo é oferecer informações claras, baseadas em boas práticas clínicas, para ajudá-lo a agir com segurança e urgência quando necessário, protegendo sua visão.

O que é descolamento de retina

A retina é o tecido sensível à luz que reveste a parte interna do olho e transforma estímulos luminosos em sinais para o cérebro. O descolamento ocorre quando essa camada se separa do epitélio pigmentar e da parede ocular, interrompendo a nutrição das células fotorreceptoras. Sem tratamento imediato, essas células morrem e a visão se deteriora rapidamente. Na prática clínica, o quadro costuma começar com um rasgo retiniano que permite a entrada de líquido sob a retina, ampliando a área descolada ao longo de horas ou dias. Também pode acontecer após trauma, inflamação, alta miopia ou cirurgias oculares prévias. Reconhecer a urgência e buscar avaliação por um oftalmologista especialista em retina é essencial.

Sinais de alerta que exigem urgência

Os sintomas do descolamento de retina podem surgir de forma súbita ou progressiva. O mais comum é notar novas moscas volantes, que parecem pontos, teias ou manchas escuras se movendo no campo visual. Muitos pacientes também descrevem flashes de luz, especialmente em ambientes escuros, causados pela tração do vítreo sobre a retina. Outro sinal crítico é a sensação de sombra, véu ou cortina que avança de um lado da visão, geralmente sem dor. A queda da acuidade visual pode ser rápida se a mácula for acometida.

Procure atendimento imediato se notar:

  • súbito aumento de moscas volantes, principalmente acompanhadas de flashes;
  • flashes de luz persistentes em um olho;
  • sombra, cortina ou área escura que não melhora;
  • queda repentina da visão central ou distorção.

Esses sinais indicam risco de rasgo retiniano ou descolamento e não devem esperar até o dia seguinte.

Enxaqueca com aura e descolamento do vítreo posterior podem causar sintomas parecidos, mas somente o exame dilatado confirma o diagnóstico com segurança.

Causas e fatores de risco

O descolamento regmatogênico, o tipo mais comum, geralmente começa com um rasgo retiniano induzido pela tração do vítreo. Certos perfis aumentam o risco ao longo da vida, como miopia elevada, idade avançada, histórico familiar e cirurgias oculares prévias, especialmente a de catarata. Traumas oculares, inflamações e degenerações periféricas da retina, como lattice, também contribuem. Pessoas que fazem esportes de impacto ou atividades com risco de pancada na cabeça precisam de atenção redobrada.

Principais fatores de risco:

  • miopia alta (>-6 dioptrias);
  • idade acima de 50 anos;
  • histórico familiar de descolamento;
  • degenerações periféricas da retina;
  • trauma ocular e esportes de impacto;
  • cirurgia de catarata prévia.

Diabéticos com retinopatia proliferativa podem ter descolamento tracional, que também exige avaliação rápida. Infecções e inflamações intraoculares prolongadas elevam o risco. Mulheres e homens são igualmente afetados, dependendo do perfil ocular.

Tipos de descolamento de retina

Há três grandes categorias clínicas. O regmatogênico ocorre por um rasgo na retina, permitindo a passagem de líquido do vítreo para o espaço sub-retiniano. O tracional acontece quando membranas fibrovasculares puxam a retina, comum na retinopatia diabética avançada. Já o exsudativo (ou seroso) resulta do acúmulo de fluido por inflamação, tumores ou doenças vasculares, sem ruptura retiniana. Cada tipo exige abordagem específica, mas todos podem causar perda visual severa se não tratados prontamente.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é clínico e depende do exame do fundo de olho com dilatação da pupila. O oftalmologista avalia toda a periferia retiniana em lâmpada de fenda com lente ou por mapeamento de retina. A tomografia de coerência óptica (OCT) ajuda a avaliar a mácula, enquanto o ultrassom modo B é útil quando há opacidades que impedem a visualização direta, como hemorragia vítrea ou catarata densa. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o prognóstico.

Quando operar e por que a rapidez importa

A cirurgia de retina para descolamento é considerada urgente. Quando a mácula ainda está aplicada, o ideal é operar o mais rápido possível, frequentemente dentro de 24 a 72 horas, para preservar a visão central. Se a mácula já descolou, muitos especialistas ainda recomendam operar em até sete dias, pois cada dia adicional pode piorar o resultado funcional. O tempo exato depende do tipo de descolamento, da extensão, do tempo de sintomas e das condições do paciente, mas a regra geral é não adiar.

Casos com rasgos recentes e retina ainda parcialmente aplicada podem permitir técnicas menos invasivas. Já quadros extensos, com proliferative vitreoretinopathy (PVR) incipiente ou longa duração dos sintomas, tendem a exigir abordagens mais complexas, com vitrectomia e uso de óleo de silicone. Por isso, aguardar melhora espontânea é um erro frequente que reduz as chances de recuperação da visão. Ao primeiro sinal, o caminho é avaliação especializada e programação cirúrgica rápida.

Opções de cirurgia de retina

Existem várias técnicas cirúrgicas, escolhidas conforme a localização dos rasgos, a extensão do descolamento, a presença de PVR e as características do vítreo. Em muitas situações, o cirurgião combina métodos para aumentar a taxa de sucesso.

Retinopexia pneumática

Uma bolha de gás é injetada dentro do olho para pressionar a retina contra a parede, enquanto o rasgo é selado com laser ou crioterapia. Exige posicionamento rigoroso da cabeça por dias e funciona melhor para rasgos superiores, únicos e recentes. É menos invasiva e pode ser feita em ambiente ambulatorial, mas nem todos os casos são elegíveis.

Cerclagem escleral (buckle)

Uma faixa de silicone é posicionada externamente ao redor do olho para aliviar a tração e aproximar a parede do rasgo. Costuma ser útil em pacientes jovens, com vítreo ainda aderido, e em rasgos periféricos. Pode ser associada a drenagem de líquido sub-retiniano, crioterapia e, em alguns casos, combinada com vitrectomia.

Vitrectomia pars plana

O vítreo é removido para liberar tração, tratar rasgos múltiplos e permitir manipulação direta da retina. Após o laser, o olho é tamponado com gás expansível ou óleo de silicone, que mantêm a retina aplicada enquanto cicatriza. É a técnica mais versátil e a preferida em PVR, descolamentos complexos, hemorragia vítrea e em olhos pseudofácicos.

Laser e crioterapia

São métodos de sela do rasgo que induzem cicatrização ao redor da ruptura, impedindo nova passagem de líquido. Podem ser usados isoladamente em rasgos sem descolamento ou como parte das cirurgias descritas acima.

Em geral, os procedimentos são feitos com anestesia local e sedação. As taxas de reaplicação da retina no primeiro ato variam entre 80% e 95%, dependendo do caso e da experiência da equipe. Complicações incluem aumento da pressão intraocular, catarata, infecção (rara) e PVR, que pode exigir nova cirurgia.

Recuperação e cuidados pós-operatórios

O pós-operatório varia conforme a técnica e o tampão usado. Quando há gás, é comum a necessidade de manter a cabeça em posição específica por dias ou semanas, além da proibição de viajar de avião e de subir serras até a completa reabsorção. Colírios antibióticos e anti-inflamatórios são prescritos por algumas semanas. Visão embaçada é esperada no início, melhorando progressivamente. Se foi colocado óleo de silicone, pode haver turvação persistente até a retirada em cirurgia posterior, quando indicada.

Retomar atividades leves costuma ser possível em poucos dias, respeitando a orientação sobre esforço físico, leitura e telas. Esportes de impacto, natação e contato com poeira devem ser evitados até liberação médica. Dor intensa, piora súbita da visão, olho muito vermelho ou secreção são alertas de complicações e justificam retorno imediato. Agendar e comparecer às consultas de revisão é parte do tratamento.

Prognóstico visual e complicações

O prognóstico depende principalmente de duas variáveis: tempo até a cirurgia e envolvimento da mácula. Quando a mácula permanece aplicada, há maior chance de manter boa acuidade visual. Se a mácula descolou, muitos pacientes recuperam leitura e autonomia, mas podem persistir distorções, escotomas ou redução de contraste. Idade, extensão do descolamento, presença de PVR e doenças associadas também influenciam.

Complicações possíveis incluem novo descolamento, catarata acelerada após vitrectomia, hipertensão ocular, infecção e sangramento. PVR é a causa mais comum de falha, devido à formação de membranas que repuxam a retina. Mesmo assim, com seguimento adequado e intervenção oportuna, a grande maioria dos pacientes consegue reaplicação anatômica estável.

Resultados finais costumam estabilizar entre três e seis meses, período em que o cérebro se adapta às mudanças visuais.

Prevenção e acompanhamento

Nem todo descolamento pode ser prevenido, mas avaliar rasgos e degenerações periféricas permite tratar preventivamente com laser. Pessoas míopes, diabéticos e quem já operou catarata devem realizar exames periódicos. Ao notar sintomas novos, busque atendimento no mesmo dia.

Perguntas frequentes

Dor é comum no descolamento de retina?

Dor geralmente é leve ou ausente; a urgência existe pelos sintomas visuais.

Posso esperar para ver se melhora?

Não. Atraso reduz chances de recuperar a visão central.

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Equipe editorial para a Clínica Azoubel Roizenblatt

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