Por que consultar o oftalmologista regularmente
Enxergar bem vai muito além de ler as letras na parede. Doenças silenciosas como glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular podem avançar sem dor e sem sinais claros no começo. Por isso, manter exames oftalmológicos em dia é essencial para prevenir, diagnosticar cedo e tratar problemas que ameaçam a visão. Em uma única consulta, o especialista checa estruturas externas e internas do olho, mede a pressão ocular e avalia a qualidade da visão. Este guia explica quando marcar suas avaliações por faixa etária, quais testes são mais solicitados (refração, tonometria e mapeamento de retina) e o que cada um detecta. Assim, você chega à consulta mais preparado, faz perguntas melhores e ganha tempo no cuidado com sua saúde ocular.
Periodicidade por faixa etária
As recomendações abaixo são gerais e podem mudar conforme histórico familiar, doenças sistêmicas, uso de medicações e sintomas. Em caso de dúvida, siga a orientação do seu oftalmologista.
- Bebês e crianças: exame na maternidade (teste do olhinho) e nova avaliação entre 6 e 12 meses, ou antes se houver estrabismo, mancha branca na pupila, lacrimejamento excessivo ou infecções recorrentes. Dos 3 aos 5 anos, checagem anual para rastrear ambliopia (olho preguiçoso) e erros de refração; dos 6 aos 12, de 1 a 2 anos, dependendo do desempenho escolar e queixas.
- Adolescentes e adultos jovens (13–39 anos): se assintomáticos e sem fatores de risco, exame a cada 2 anos. Usuários de telas por longos períodos, lentes de contato, ou com queixas de dor de cabeça, ardor e visão turva devem antecipar a avaliação.
- Adultos de meia-idade (40–59 anos): consulta anual ou bienal. A partir dos 40, o risco de glaucoma aumenta e a presbiopia surge; medir pressão ocular e avaliar o nervo óptico passam a ser rotinas importantes.
- 60+ anos: avaliação anual. Cresce a incidência de catarata, degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e alterações da retina. Em diabéticos e hipertensos, o controle deve ser ainda mais rigoroso, com exames de retina regulares.
Independente da idade, condições como diabetes, hipertensão, doenças autoimunes, histórico familiar de glaucoma/DMRI/ceratocone e uso crônico de corticoides exigem vigilância mais frequente. Cirurgias oculares prévias ou traumas também indicam acompanhamento próximo.
Sinais de alerta e fatores de risco
Procure avaliação rápida se notar: dor ocular persistente, perda súbita de visão, moscas volantes novas com flashes de luz, campo de visão “sombreado”, visão dupla, olhos vermelhos com secreção espessa, halos coloridos ao redor de luzes ou trauma ocular. Entre os fatores de risco que pedem check-ups mais curtos estão: diabetes, pressão alta, histórico familiar de glaucoma ou ceratocone, miopia alta, tabagismo, exposição solar sem proteção, obesidade e apneia do sono. Em todos esses cenários, exames direcionados ajudam a evitar danos permanentes.
Exames básicos do check-up
Refração computadorizada e teste subjetivo
A refração é o conjunto de testes que determina seu grau para longe e perto, identificando miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia. Costuma começar no autorrefrator (equipamento que dá uma estimativa automática) e segue com a refração subjetiva, na qual o especialista coloca lentes na sua frente e pergunta “melhor aqui ou ali?”. Em crianças, pode ser necessário usar colírios para “dilatar e relaxar o foco” (cicloplegia), revelando graus ocultos. O que detecta: erros refracionais que explicam visão embaçada, dores de cabeça, fadiga ao ler e queda de rendimento escolar. Quando fazer: em toda consulta de rotina, ao trocar óculos/lentes, ou se houver queixas de visão.
Tonometria (medida da pressão ocular)
A tonometria mede a pressão intraocular (PIO), fator crucial para diagnosticar e acompanhar o glaucoma. Há métodos por aplanamento (padrão-ouro, geralmente com colírio anestésico e fluoresceína) e por sopro de ar (sem contato). Valores elevados não bastam para confirmar glaucoma, mas acendem o alerta e exigem avaliação do nervo óptico e do campo visual. O que detecta: risco de glaucoma, alterações transitórias da PIO e impacto de medicamentos (como corticoides). Quando fazer: rotineiramente a partir dos 40 anos, antes em pessoas com histórico familiar de glaucoma, miopia alta, descendência africana, pressão arterial baixa, apneia do sono ou uso prolongado de corticoides. Monitorar também após cirurgias oculares.
Acuidade visual
É o teste das letras (ou figuras) que você lê a diferentes distâncias, com e sem correção. Avalia a nitidez da visão e ajuda a medir o impacto dos graus, da catarata e de doenças retinianas no desempenho visual. O que detecta: quedas de visão relacionadas a refração desatualizada, opacidades, olho preguiçoso e alterações centrais da retina. Quando fazer: em toda consulta.
Exames do fundo de olho e da retina
Mapeamento de retina (exame indispensável)
O mapeamento de retina permite a visualização detalhada do fundo do olho, incluindo mácula, vasos, periferia retiniana e nervo óptico. Geralmente exige dilatação da pupila com colírios; após o exame, a visão de perto fica borrada por algumas horas e a luz incomoda, por isso óculos escuros ajudam. O que detecta: rasgos e degenerações periféricas predisponentes a descolamento de retina, sangramentos, inflamações, edema macular, retinopatia diabética, oclusões venosas e sinais de hipertensão sistêmica. Em míopes altos, grávidas com queixas visuais, diabéticos, hipertensos e após traumas, o mapeamento de retina é prioridade. Quando fazer: como rastreio em consultas de rotina conforme orientação médica e, obrigatoriamente, em diabéticos (anual ou conforme gravidade), em casos de novos flashes/moscas volantes, perda de campo ou antes de esportes de impacto se houver alterações periféricas. Por revelar doenças silenciosas, é um dos pilares do check-up oftalmológico.
Retinografia e OCT (tomografia de coerência óptica)
A retinografia registra fotos do fundo do olho, úteis para comparar evolução ao longo do tempo. Já a OCT produz imagens em “cortes” das camadas da retina e do nervo óptico, mensurando espessuras com precisão micrométrica. O que detectam: edema e buraco macular, membranas epirretinianas, afinamento do nervo óptico (glaucoma), drusas na DMRI, alterações na retinopatia diabética e sequelas de oclusões vasculares. Quando fazer: solicitados conforme achados no exame clínico ou no mapeamento de retina, e no acompanhamento de glaucoma, DMRI, diabete ocular e pós-operatórios.
Outros exames úteis e quando solicitar
Biomicroscopia (lâmpada de fenda)
Com um microscópio especial, o médico examina pálpebras, conjuntiva, córnea, câmara anterior, íris e cristalino. É fundamental para investigar olho seco, alergias, inflamações, infecções, ceratites e catarata. Pode incluir teste com corantes (fluoresceína/rosa bengala) para avaliar a superfície ocular. O que detecta: lesões de córnea, úlceras, opacidades iniciais, sinais de uveíte e alterações de lentes de contato. Quando fazer: em toda consulta de rotina e sempre que houver dor, vermelhidão, sensação de areia, fotofobia ou trauma.
Topografia e paquimetria de córnea
A topografia mapeia a curvatura da córnea, identificando irregularidades e astigmatismos complexos; a paquimetria mede sua espessura. São cruciais no diagnóstico e seguimento do ceratocone, na avaliação pré-operatória de cirurgias refrativas (como LASIK) e no ajuste de lentes de contato especiais. O que detectam: afinamentos suspeitos, ectasias, distorções que explicam visão embaçada com óculos e risco aumentado em procedimentos. Quando fazer: quando há astigmatismo elevado/irregular, queixas persistentes apesar de boa refração, antes de cirurgia refrativa e no monitoramento de ceratocone.
Como se preparar para a consulta
Leve seus óculos e receitas antigas, histórico de doenças, lista de medicamentos e alergias. Anote sintomas, quando começaram e o que piora ou melhora. Considere ir acompanhado caso haja dilatação de pupila. Evite dirigir após exames com colírios que borram a visão. Hidrate-se, descanse e use óculos escuros na saída se houver sensibilidade à luz. Para lentes de contato, siga a orientação da clínica sobre suspensão prévia, pois elas podem interferir em algumas medidas.
Mitos e verdades rápidos
- Óculos “viciam”? Mito. Eles apenas corrigem a imagem na retina.
- Ler com pouca luz estraga os olhos? Mito. Cansa mais, mas não piora o grau.
- Dor de cabeça pode ser dos olhos? Verdade. Refração desatualizada ou esforço visual contribuem.
- Diabéticos sem sintomas precisam de exame anual? Verdade. A retinopatia é silenciosa no início.
- Colírio “branqueador” é seguro para uso contínuo? Mito. Pode piorar a vermelhidão com o tempo.
Quando procurar com urgência
Vá ao pronto atendimento oftalmológico se ocorrer: perda súbita de visão, dor intensa, trauma, química nos olhos, luzes e múltiplas moscas volantes acompanhadas de sombra ou cortina no campo visual, visão dupla súbita, secreção purulenta com febre, ou pós-operatório com piora acentuada. Nesses casos, o tempo faz diferença para preservar a visão.
Resumo acionável
– Faça exame completo a cada 1–2 anos, ou anual após os 60. Diabéticos, hipertensos e quem tem histórico familiar de doenças oculares precisam de monitorização mais frequente.
– Refração, acuidade e tonometria compõem o básico do check-up. O mapeamento de retina é essencial para flagrar alterações silenciosas e guiar exames complementares.
– Sinais de alerta exigem atendimento rápido: dor, perda repentina de visão, flashes com moscas volantes novas e trauma. Priorize a prevenção: cuide dos olhos hoje para enxergar bem no futuro.




